O milagre de renascer
Mala Nike
Ao fisioterapeuta com carinho

Correr, andar, abraçar, tocar, movimentar, sentir, reabilitar... São verbos que a Fisioterapia conhece muito bem. Mas existe um em especial, que rege essa magnífica profissão. É o verbo acreditar. Pois o fisioterapeuta acredita na capacidade do paciente quando nem ele acredita em si mesmo.
É o fisioterapeuta que a exemplo de pais e mães adotivos ensinam o paciente a readquirir sua funcionalidade, sua independência.
É o Fisioterapeuta que acredita que tudo pode ser possível e que ao avaliar o paciente, sente sua incrível capacidade de recuperação.
É o Fisioterapeuta que a exemplo de Jesus usa as mãos para promover verdadeiros “milagres...”
É o Fisioterapeuta quem se frustra quando aquela técnica não foi bem sucedida e se entristece com a falta de fé do paciente.
Mas também é ele quem vibra em cada passo dado, que se alegra com a amplitude de movimento recuperada, que se emociona ao ver o sorriso de seu protegido.
A Fisioterapia não usa fármacos, porque possui amor...
Não usa bisturi, porque possui perseverança...
Não usa anestésicos porque possui sensibilidade...
E com todo o respeito que se deve aos profissionais de saúde...
A Fisioterapia vai onde ninguém consegue chegar!
*13 de Outubro
Dia do Fisioterapeuta.
O cafajeste
E a menina virou mulher
Essa nostalgia do debut, me veio ao ser convidada para o aniversário de 15 anos de Camila e Gabriela, irmãs gêmeas que festejaram sua entrada no "mundo adulto" de forma muito tradicional.
A festa, organizada com o mais fino primor, tinha ares de antigo aliado ao contemporâneo, castelo com ares de boate, Dj com jeito de orquestra, globo de luz lembrando lustres raríssimos.
Em um dado momento, a música foi silenciada e a mestre de cerimônia fez a leitura de um texto que exprimia exatamente o que era completar 15 anos. E então, nobres cadetes e suas quinze damas entraram pelo salão lindamente decorado e tracejado por um tapete vermelho. Ajoelhados, os cadetes viram o desfile das aniversariantes e logo após, as donas da festa passaram por um corredor formado por espadas que se cruzavam, como a batiza-las para a entrada de um novo mundo.
Ao decorrer da cerimônia, o laço de fita foi trocado pela tiara de brilhantes, o vestido de babados, trocado pela roupa de gala, a sandália infantil, trocada pelo salto alto e finalmente, a boneca trocada pela maquiagem.
Exatamente ali, lembrei do ano em que debutei. Não houve festa, valsa, cerimônia. Confesso que o tempo passou e de repente eu já estava completando 15 anos. Era uma adolescente que por obrigação, cresceu antes do tempo. Tive que encarar a realidade bem antes da cinderela aparecer.
No ônibus
Não sei porque cargas d'agua a inspiração para escrever me invade quando estou andando de ônibus. Fico a olhar pela janela que me parece mais uma película a rodar e quadro a quadro, as palavras vêem a minha mente e os textos surgem de forma fluida e criativa.
Certa vez, Marcela, jornalista e companheira de trabalho, solicitou a criação de um vídeo e disse: "Com essa antecedência, você terá tempo de sobra para andar de ônibus!" Tá, confesso que é meio esquisito e pior ainda, revelar que começo os textos do final para o início. (Tudo bem, coisa de doido), mas a receita vem dando certo até hoje.
Acho ônibus uma rede social fantástica! Em tempos de orkut, msn, twitter, facebook, sonico (se tiver mais alguma rede aí, me digam) perdemos a oportunidade de conhecer pessoas de carne e osso, de sentir, trocar idéias.
Ao sair do hospital, peguei um coletivo e fiquei a olhar a janela. Em certo momento, o ônibus parou e entrou uma figura fantástica! Pedro Henrique. Moreno, olhos castanhos escuros, tipo mel de engenho, cabelos bem cortados, magro, nariz arrebitado. Quando o vi, notei que seu rosto estava repleto de "pintinhas" características da varicela, popular catapora. De mãos dadas com a mãe, ele sentou ao meu lado e puxei conversa. Para iniciar, perguntei o óbvio: "É catpora?" e ele respondeu: "É." Daí a conversa cresceu ao ponto de eu perguntar se ele estava achando bom essas férias escolares forçadas. Então, dentro de sua inocência, me falou que ainda estava procurando uma escola, porque lá no bairro dele, não havia vaga em nenhuma unidade escolar.
Confesso que ainda fico chocada em saber que crianças estão fora da sala de aula por conta de falta de vagas. Depois de engolir em seco a questão social do nosso Estado que não fornece unidades escolares suficientes para abrigar nossas crianças, amenizei a conversa perguntando o que ele queria ser quando crescesse. "Quero ser doutor". E emendei: "Doutor médico, doutor psicólogo, doutor fisioterapeuta..." ao que prontamente disse que queria ser doutor médico. Sua vontade era ajudar a família com seus estudos. Depois, ele começou a viajar: "Quero ser doutor médico, taxista e fisioterapeuta. Ah! E ainda "dirigir" um avião. Mas se o avião "pifar" eu vou pro céu."Dei uma risada. Não que estivesse me aproveitando disso, mas pela criatividade e ingenuidade infantil. E então, começou a descrever o avião que um dia ele iria pilotar
Depois, ele virou entrevistador: "E você, o quer quer ser?" Não me conti em devolver a pergunta: "O que eu quero ser quando eu crescer?" Ele olhou pra mim e respondeu: "Mas você já cresceu". E o pensamento foi para longe. É verdade, eu já cresci. (Constatação difícil muitas vezes...)Respondi minha trajetória de profissões desde a infância quando eu queria ser professora e cabeleireira, até hoje na fisioterapia.
Enfim, depois de um longa conversa, chegou o momento da partida. Revelei-lhe, que havia sido um prazer conhecê-lo, ao qual muito educado, respondeu-me que gostara muito de nosso "papo".
Ele desceu do ônibus e eu fiquei a pensar...
Como é que nosso país permite que seu futuro fique longe dos bancos escolares, sem a oportunidade de concretizar sonhos? Nesse período decisivo onde nós temos nas mãos a chance de trasnformar o país, fico com a propaganda inteligente que vi na TV esses dias: O melhor candidato às eleições, se chama EDUCAÇÃO.

