*Ela, é Luciara Monique, filha de Coruripe, amiga na faculdade e a pessoa mais linda do Brasil.
Amigos se reconhecem
*Ela, é Luciara Monique, filha de Coruripe, amiga na faculdade e a pessoa mais linda do Brasil.
Enquanto isso na cantina da injustiça...
Meu querido diário,

Queria aconchego, abraço, carinho, dengo, atenção....
Ao mestre com carinho
Mas esta fascinação pelo novo, pela descoberta, sempre me leva ao dia em que juntei às letras e li, sozinha a primeira palavra. Parecia uma equação matemática: “érre com é, ré. Dê com é, dé, a palavrinha é rédé. Não foi lá uma leitura perfeita da palavra rede, mas a satisfação da tia Maria Amália ao ver sua pupila lendo, e o fato de saber juntar aquela sopa embaralhada de letras, abriu minha mente infantil, para um mundo novo.
O tempo passou e a cada ano letivo, descobertas, lutas e professores que foram à base deste aprendizado. Recordo de cada um com tanto carinho e zelo, que ao lembrar de cada rosto querido, sinto saudade...
Quando estava no terceiro período da faculdade de Fisioterapia, que ainda estou a cursar, conheci um professor que seria um divisor de águas. Alto, imponente, voz grave, forte, largo, digo, muito largo, na verdade, gordo (ai, desculpa, professor! Perco o amigo, mas a piada...) que passava convicção em tudo o que dizia. Foi antipatia à primeira vista: “Vixe, Maria, esse deve ser o cão”, pensei com os botões do jaleco, meio surrado.
Com o passar dos dias, fui percebendo como aquela criatura tinha paixão pela docência, por ensinar e como recompensa, íamos encontrando luz em suas aulas, como se aquele momento fosse o espetáculo do aprender.
Um dia, despediu-se de nossa turma, porque sua vida corrida não permitia que ele lecionasse a noite. Preparamos uma festa, não porque estávamos felizes, mas porque um grande amigo iria partir. Ouvimos dele declarações emocionadas, onde ele dizia levar em seu coração, tudo o que aprendeu conosco.
A saudade foi ficando e as lembranças deixando esse sentimento ainda mais profundo. Até que nossa turma o convidou para nos dar um curso de fisiologia, no intuito de tirarmos nossas dúvidas e claro, rever o grande amigo. E como um pai, nos deu um presente de mãe, vindo iluminar nossa mente, no sábado que antecedeu o dia delas.
Ele chegou, entrou na sala e foi recebido com muitos sorrisos pelos pupilos. Parecia uma festa! Como naquela sala, havia pessoas que não o conheciam, porque o curso foi aberto para outros períodos, ele apresentou-se: “Bom dia, meu nome é Rogério Bernardo e leciono fisiologia na UFAL”. Findada sua humilde apresentação, iniciou a aula, cujo tema era introdução a fisiologia e transporte através das membranas.
Mas a cada passo avançado, percebíamos como era fácil aquele assunto que achávamos ser um bicho de sete cabeças. “Entra sódio, sai potássio. Despolarização, repolarização”, dizia, nos fazendo entender como funciona a bomba de sódio e potássio, essencial para a homeostase (equilíbrio) do corpo humano. “Nosso corpo é um circuito elétrico: o cérebro não registra que um pastel foi ingerido. Uma descarga elétrica sinaliza que o sal entrou no organismo.” E continuava: “A bomba de sódio e potássio é linda, não é gente?” E eu não sabia se o mais bonito era a tal da bomba, ou ver a sala inteira aprendendo o que ele ensinava.
Ao terminar aquela aula, que mais representava o espetáculo do saber, nos limitamos apenas a aplaudir o mestre para mostrar o tamanho da nossa gratidão. E exatamente naquele momento, lembrei do dia em que juntei às letras e li sozinha, a primeira palavra. A voz quis embargar, os olhos quiseram lacrimejar, mas só me restou dizer, muito obrigada professor!
Contradições

Acho que sou a contradição...
Impulsiva, doce, forte, frágil... O verdadeiro paradoxo da alma.
Previsível e imprevisível, uma caixa de surpresas cheia de medos, dissabores e muitos e deliciosos sabores...
Saborear... Eis o verbo que rege a vida.
Afinal, tudo é sensação que começa na visão e termina no paladar.
A derrota tem sabor de jiló.
A vitória tem sabor de chocolate (acho que é por causa da serotonina liberada)
Tenho a alma cigana, que aspira por liberdade
Mas sou cativa de meus próprios sentimentos
Sou moça de sítio, de banho de rio
Possuo uma menina interior que todos os dias me chama para brincar de roda e andar descalça pelo mundo sob os raios do sol
Sinto saudades da infância (acho que tenho a síndrome de Peter Pan)
Mas também existe dentro de mim uma mulher que adora rosas vermelhas
Que usa salto alto e vai à luta
Que ama e se entrega
Que não existe meio termo: Ou ama ou odeia...
Não gosto de me relacionar pisando em ovos...
Ou entro de cabeça, ou não entro.
Acho que se é pra voltar pra casa depois da meia noite, que seja então às cinco da manhã!
Pinto as unhas de vermelho intenso
Porque intensa, deve ser a vida
E como já foi dito, a contradição me persegue...
Adoro acordar aos sábados e assistir desenho animado!
Poxa, quando é que vou crescer?
Sou dengosa, encrenqueira, gosto de toda atenção voltada pra mim
Mas também sou submissa, procurando apaziguar situações...
Ah, esta bendita contradição!
Porém, como diria o poeta Raul Seixas, “Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante”
A tampa da panela
Caminhei tanto, que quando dei por mim, estava em frente a um hipermercado que fica ao lado da faculdade onde estudo. Meu estômago sinalizou que precisava abastecer e eu entrei, para “forrar” o bichinho.
Depois de “alimentada” com uma pizza brotinho, uma esfiha, um pão de queijo, e um refrigerante (perceberam como foi tudo ligth?) fui ver a sessão de livros. Amo ler, embora, não tenha lido nem a metade de livros que estipulei para minha vida. Fui namorar o livro do Wagner Homem, onde ele relata as histórias das músicas de Chico Buarque, misturando fatos históricos da época em que o Brasil vivia a Ditadura Militar. Namorei também José Saramago, Jorge Amado, e Chico Buarque. Sim, porque o livro Leite Derramado estava exposto na prateleira.
Em um dado momento, lembrei daqueles conselhos das revistas femininas que “organizam” a vida das solteiras: “Uma locadora, uma livraria, é o lugar perfeito para encontrar um par...” Bem, só se for um par de traças para roer os livros, porque eu nunca vi coisa tão difícil que encontrar a cara metade.
Não é que falta homem no mundo. O fato é que qualquer um a gente encontra ao virar a esquina. Tem qualquer um no churrasquinho, no caldinho, no forrozinho, no pagodezinho, no barzinho... Em todo “inho” tem qualquer um. E antes que me queimem na inquisição, eu adoro forró, gosto de pagode e saio de quando em vez para alguns bares. Mas conhecer alguém é muito mais que ir a um show e depois de alguns olhares, beijar na boca. Homem precisa conversar, querer conhecer e não perguntar se eu quero uma cervejinha (a saga do “inho” continua). Precisa ser inteligente e não estou falando do Bil Gates, precisa ser bem humorado, e não me refiro ao Jim Carray.
Imagina um delivery chegando lá em casa: “Foi aqui que encomendaram um namorado alto, inteligente, bem humorado, compreensivo, leal, romântico, amigo, com dom de ouvir uma mulher nos dias de TPM e ainda goste de discutir a relação?” (Nome do filme: Um Sonho impossível.)
Posso até estar pedindo demais. Porém, mulher gosta de ser ouvida, de conversas inteligentes, bom humor agregado ao charme. Mulher gosta de carinho, de ser bem tratada, de ter seus limites respeitados. E nem falo de beleza. Porque esta é muito subjetiva. Para mim, beleza é um conjunto de tudo que já foi dito. O moreno alto, bonito, e sensual, é um estereótipo de alguém que sinceramente, não faz parte dos meus sonhos. Gosto dos normais, com algumas assimetrias, com uma barriguinha saliente mas que tenha o cérebro malhado. Pessoas de verdade que não estão nas capas das grandes revistas, mas que são número um na publicidade do coração. Não falo de almas gêmeas, porque já passei dessa fase. Falo de sintonia, de olho no olho, de cumplicidade. Artefatos raríssimos hoje em dia.
Depois de namorar tantos homens na prateleira do hipermercado, cada um com sua peculiaridade, voltei sem nenhum deles nas mãos e imaginando o dia de encontrar a tal tampa da panela e que pelo amor de Deus, ele saiba pelo menos, cozinhar!
A linha
Me pus a pensar
Que nossa vida
Em uma linha está
Em linhas escritas
Com devoção
Para o amor
Que enternece o coração
Nas linhas que separam
O ódio do amor
O ciúme da doença
A alegria da dor
Nas linhas
Que Deus escreve
Tortas e confusas
Que levam o ser
A uma vida de venturas
Nas linhas que costuram
A aproximação
Nas linhas que se afrouxam
Trazendo a solidão
Laços também são linhas
Bastante adornadas
Que trazem surpresas
Em papel embrulhadas
Escrever é por em linhas
Um pouquinho de emoção
Tentando desenrolar
O novelo do coração
Todo mundo diz
Que vive enrolado
Seja no amor
Seja no trabalho
Penso
Porque ninguém quer ficar
Desenrolado
Uns dizem
Que é preciso andar
Na linha reta
Para não se machucar
Mas é tão gostoso
Sair da linha
Perder as estribeiras
Gritar de alegria
Que eu
Que a linha torta que ando
Correta está.




